Paz que vem de Nossa Senhora

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O Ano Mariano Nacional, convocado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em comemoração aos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida no rio Paraíba do Sul é um tempo especial para conhecer diversas devoções à Mãe de Jesus. Em nossa Paróquia não é diferente: queremos ver Jesus, mas queremos que Maria nos leve a Ele.

A comunidade Nossa Senhora da Paz nasceu há mais de 50 anos. Nos anos 1960, a residência da zeladora, Florentina Cavion, localizada na esquina das ruas Professor Marcos Martini e Antônio Rossatto, no bairro Marechal Floriano era o local da celebração Eucarística. “No barranco que ficava na parte de trás foi cravada a primeira cruz, que denominava aquele núcleo como Nossa Senhora da Paz”, relata Leonilda Chiemente, que atua em diversos serviços, como a catequese e a Pastoral da Pessoa Idosa (PPI).

Como nasceu essa devoção? Em 1682, numa praia do Oceano Pacífico, na América Central, onde hoje está situado o país de El Salvador, passaram alguns comerciantes e viram uma grande caixa fechada. Ficaram muito surpresos e tentaram abri-la, mas não conseguiram. Vendo que o baú era pesado, que estava bem fechado, e nada indicava sua procedência ou a quem era dirigida, chegaram à conclusão de que devia conter algo valioso, algo a ser transportado com muito cuidado e vigilância.

Pensaram que alguém seria prejudicado se deixassem ali, pois poderia ser de alguma vítima de naufrágio. Pensando no bem do próximo, conseguiram um burro emprestado e sobre ele colocaram a caixa, dirigindo-se à cidadezinha de San Miguel, aonde chegaram no dia 21 de setembro. Diante da igreja da localidade, o burro se jogou no chão. Ao movimentarem a caixa, verificaram com surpresa que a podiam abrir sem dificuldade. Uma vez aberta, encontraram nela uma imagem de Nossa Senhora com o menino Jesus.

As autoridades civis e religiosas procederam à procura dos possíveis donos da imagem. Entretanto, até hoje não se conseguiu ter certeza. Seja como for, não deixou de chamar a atenção o fato, ao que tudo indica sobrenatural, de a caixa poder ser aberta somente diante da igreja, motivo pelo qual a imagem foi deixada ali, onde permanece até hoje, no interior do templo religioso de San Miguel.

O nome de Paz foi dado à imagem muito tempo depois do encontro. Após ficarem independentes da Espanha, começaram em todos os países hispano-americanos lutas entre conservadores e liberais que, em diversas circunstâncias, se transformaram em cruentas guerras civis. Em 1833, um dos partidos dominou a cidade e todos esperavam uma sangrenta revanche. Contudo, julgaram melhor evitar tal tragédia. E para mostrar que não tinham intenção de promover mortes entre irmãos, mandaram colocar a imagem de Nossa Senhora no meio da igreja. Diante dela, comprometeram-se a deixar de lado todo propósito de vingança e buscar a reconciliação. A partir desse momento, a imagem começou a ser chamada Nossa Senhora da Paz.

Em 1921, o Papa Bento XV autorizou a coroação da imagem, e finalmente, em 1953, o Papa Pio XII assinou decreto tornando Nossa Senhora da Paz padroeira de El Salvador. A história dessa devoção é cheia de detalhes que mostram o cuidado maternal de Maria e a necessidade humana de invocar a proteção da Mãe para alcançar a Paz.

Ao longo dos anos, esse título mariano se espalhou pelo mundo inteiro e chegou em Caxias do Sul. Tanto que, no início dos anos 1970, o pároco da Paróquia Santa Catarina, padre Aquilino Franceschet adquiriu o terreno onde seria erguido um local para a celebração da fé e o trabalho comunitário.

Em 1974, a partir de um convênio entre a Paróquia, a Universidade de Caxias do Sul (UCS) e a Prefeitura, foi construída uma casa de madeira naquele pedaço de terra. Além da igreja, ali funcionava a creche do bairro, a sala de reuniões e o clube de mães da comunidade.

O núcleo católico tinha uma padroeira, Nossa Senhora da Paz, mas não tinha um ícone que recordasse essa intercessão. Dois fieis, então, fizeram uma promessa. “Ao terem graças alcançadas, em 1988, Danilo Somacal e Gentil Rigotto doaram a imagem. A partir daquele ano, começamos a celebrar a devoção e realizar uma festa religiosa e social em honra de Nossa Senhora da Paz”, comenta Marinês Carniel, que faz parte da equipe administrativa.

O atual prédio, utilizado para celebrar a Eucaristia e as confraternizações das festas religiosas, teve seu início em 1992 e começou a ser ocupado pela comunidade em 1995. Bairro de gente trabalhadora e acolhedora, o Marechal Floriano cresceu e o salão-igreja passou a ser local para missas, encontros, formações, reuniões e catequese.

Além disso, num espírito de solidariedade e humildade, a comunidade da Paz empresta seu espaço celebrativo para a realização das festas religiosas da comunidade Santa Terezinha, do loteamento Tijuca. Comunidades batalhadoras, que trabalham na caridade e entreajuda.

O tempo passou e a comunidade da Paz em Caxias cresceu. Hoje, naquele espaço humilde e acolhedor funcionam importantes serviços e pastorais. “Aqui nós temos, além da equipe administrativa, as zeladoras de capelinhas, um grupo de liturgia e cantos, além da Pastoral da Pessoa Idosa, que visita os idosos e enfermos em suas casas”, explica Leonilda.

Também são serviços da comunidade a catequese, a Pastoral do Batismo e os ministros extraordinários da comunhão.

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